quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

2005 - Hoje

Gal Costa "amadrinha" nova MPB em disco Hoje

Renato Beolchi - Terra - 02/09/2005

Maria da Graça não tem medo da própria idade. Sessenta anos, sim senhor, que serão completados no próximo dia 26. Mas as seis décadas de vida - e quarenta anos de carreira - não atrapalham a jovialidade musical de Maria da Graça, mais conhecida como Gal Costa. E o elixir da juventude chama-se Hoje, novo álbum de Gal, um registro no qual ela assume o posto de madrinha da nova safra da MPB. No disco, apenas músicas de compositores sem grande expressão. Até agora, pelo menos.

Em entrevista exclusiva ao Portal Terra, a cantora baiana falou sobre o trabalho com o amigo e produtor César Camargo Mariano, o processo de seleção do repértório de Hoje, projetos futuros, sua suposta rivalidade com Elis Regina e principalmente sobre seu amor pela música. Uma paixão que celebra neste 2005, quatro décadas, desde o lançamento de seu primeiro compacto.

Lançado pela Trama, o álbum reúne apenas composições de artistas pouco expressivos no cenários nacional. A escolha foi feita por Gal ao lado de Mariano, que assina a produção e os arranjos do álbum. "A gravadora me mandou algumas músicas, mas elas não faziam parte do meu universo musical. Então eu pedi ao (compositor) Carlos Rennó, que me indicasse compositores que estão 'ralando' há algum tempo mas que ainda não fossem muito famosos".

Assim, gente como Péri, Moisés Santanna, Junio Barreto e o congolês Lokua Kanza ganham espaço no disco de Gal Costa, um trampolim e tanto para o currículo de um compositor. O resultado agradou a intérprete. "O disco tem insinuações jazzísticas e é muito diversificado musicalmente. É um álbum que se parece comigo", assegura.

César e Chet

Hoje é resultado de uma conversa que aconteceu entre César Camargo Mariano e Gal Costa há quatro anos. Os dois encontraram-sem no Carnegie Hall em Nova York para um show de tributo a Tom Jobim. "César disse que tinha um projeto que queria fazer comigo: um disco apenas com canções do Chet Baker". Anos depois, Gal cobrou Mariano, que mencionou o interesse de João Marcelo Bôscoli em levá-la para sua gravadora, a Trama.

Gal topou o desafio e trocou de gravadora. Reuniu-se com Mariano e conceberam Hoje. Mas o disco com músicas de Chet Baker vem aí, garante a intérprete. "Esse não será um disco difícil de ser realizado. É só escolher o repertório, a tonalidade e gravar. Eu adoro cantar em inglês e sou apaixonada por Chet Baker".

Gal versus Elis

Fazer parte do cast da gravadora de Bôscoli, filho de Elis Regina, não cria nenhum embaraço para Gal. Segundo ela, a suposta rivalidade entre ela e a "Pimentinha" foi uma história criada pela própria imprensa. "Nós nunca fomos grandes amigas de freqüentar uma a casa da outra. Mas nunca houve rivalidade. Existia, sim, uma profunda admiração e respeito".

Quatro décadas de Gal

"Sou como um passarinho: se eu não cantar, morro", define-se Gal Costa. É assim que ela avalia sua vitalidade musical. Há quarenta anos, Gal lançou seu primeiro compacto, ainda como Maria da Graça. Declarando um grande amor por sua obra, ela não encontra muita dificuldade e consegue até eleger seus cinco discos prediletos: Domingo (1967), Fa-Tal (1971), Cantar (1974), Todas as Coisas e Eu (2004) e Hoje (2005).

Os dois últimos têm uma explicação lógica para entrar na lista de Gal. Ela nunca esteve tão à vontade com as comparações com Ella Fitzgerald. Assim como a diva norte-americana fez com a música de seu país, Gal realiza, na música popular brasileira, um profundo estudo. Se em Todas as Coisas... ela resgatou os clássicos, em Hoje ela apresenta o novo. Esse passeio é seu túnel do tempo entre passado e futuro.

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