terça-feira, 12 de janeiro de 2010

1993 - O Sorriso do Gato de Alice

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Por Douglas Carvalho, Tiago Marques e Fábio Coutinho



"O Sorriso do Gato de Alice" foi um dos discos de Gal Costa que mais críticas positivas recebeu em seu lançamento. Produzido pelo americano Arto Lindsay, que também já havia trabalhado com Caetano Veloso e Marisa Monte, o disco é todo composto de inéditas de Caetano, Gilberto Gil, Jorge Benjor e Djavan. O disco contou com a participação de grandes músicos, como Arthur Maia, Paulo Belinatti, Marco Pereira, Marcos Suzano, Armando Marçal, Mauro Senize, e de participações especiais de Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Djavan, Jorge Benjor e Lenine, antes deste se tornar um dos mais festejados compositores e cantores da nova geração, tocando seu personalíssimo violão em "Eu vou lhe avisar". O maior sucesso do disco foi a canção "Nuvem negra", de Djavan, porém o disco trás outras boas surpresas, como a belíssima "Mãe da manhã", de Gil, com uma sobreposição de vozes com Gal Costa cantando em vários registros diferentes, a difícil "Errática", de Caetano, composta especialmente para Gal e versando exatamente sobre a facilidade da cantora em transitar entre os vários estilos musicais e timbres, e as embaladas "Bumbo da Mangueira" e "Alkahool", de Jorge Benjor, um sambão e um funk com impressinate arranjo mesclando percussão acústica, guitarras distorcidas e samplers.
Porém, a grande polêmica causada pelo disco só veio em seguida, com a estréia do show homônimo, dirigido pelo diretor teatral Gerald Thomas, no qual Gal Costa em um gesto ousado aparecia cantando três músicas com os seios à mostra. Causou muita controvérsia, dividiu opiniões, a maioria desfavoráveis, porém se tornou uma imagem marcante na carreira da cantora.
"O Sorriso do gato de Alice" foi um disco surgido após um período de problemas pessoais na vida de Gal Costa, que perdera a mãe, "Dona"Mariah, e se separara do marido, o violonista Marco Pereira. O momento vivido pela pessoa Maria da Graça Costa Penna Burgos, levou a artista Gal Costa a buscar uma ruptura estética em seu trabalho, com um disco inovador e um show polêmico. Porém, após esse trabalho, Gal Costa acomodou sua decantada inquietação e ousadia, podendo ser considerado "O Sorriso do Gato de Alice"a última grande ousadia artística de Gal Costa até agora, setembro de 2003.

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