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sábado, 3 de dezembro de 2011

Gal apresenta nove inéditas e duas regravações de Caetano em 'Recanto'


Fonte: Blog "Notas Musicais" - Por Mauro Ferreira
http://blognotasmusicais.blogspot.com/2011/11/gal-apresenta-nove-ineditas-e-duas.html

Nem Doce e tampouco Segunda. Muito menos É Eu, nome também cogitado. Recanto é o título do CD em que Gal Costa canta somente músicas de Caetano Veloso. Nas lojas a partir de 6 de dezembro de 2011, em edição da Universal Music, Recanto alinha nove inéditas em 11 faixas produzidas por Caetano com Moreno Veloso. As inéditas são Recanto Escuro, Cara do Mundo, Autotune Autoerótico, Tudo Dói, Neguinho (música eleita para iniciar a promoção do disco), O Menino, Sexo e Dinheiro, Miami Maculelê e Segunda. As duas regravações são Madre Deus - tema feito pelo compositor para a trilha sonora de Onqotô (2005), balé do Grupo Corpo - e Mansidão, música obscura lançada por Jane Duboc em 1982 com participação do próprio Caetano. O disco tem moldura eletrônica. Com exceção de Segunda, faixa orgânica de tom nordestino, o repertório de Recanto foi formatado com autotunes e com sintetizadores, programações e baterias eletrônicas. A (estilosa) capa de Recanto é assinada por Gilda Midani.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Repercussões na Imprensa sobre a Caixa 'Gal Total'

11/10/10 - 'Gal Total' encaixota a plural obra áurea de Gal
Fonte: Notas Musicais - Por Mauro Ferreira



Resenha de caixa de CDs

Título: Gal Total
Artista: Gal Costa
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * *1/2

Nome de álbum revigorante lançado por Gal Costa em 1990, Plural seria um título mais adequado para a caixa que embala 14 dos 16 álbuns gravados pela cantora na extinta gravadora Philips (cujo acervo foi encampado pela Universal Music em 1999). Até porque, contrariando seu nome, a caixa Gal Total exclui os álbuns coletivos Temporada de Verão - Ao Vivo na Bahia (1974) e Os Doces Bárbaros (1976). Apesar das duas omissões, Gal Total faz, enfim, justiça à obra áurea de Gal Costa. A excelência da remasterização feita por Ricardo Carvalheira, da empresa Autorall, devolveu a vida ao som dos discos - chapado nas duas reedições anteriores da obra de Gal na Philips, produzidas em 1993 (na precária série Colecionador) e em 2000. Da mesma forma, o tratamento gráfico -  já decente nas reedições de 2000 - resultou ainda mais cuidadoso, reproduzindo no encarte toda a arte dos LPs originais e também as letras das músicas. Mérito do pesquisador musical Marcelo Fróes, produtor e idealizador dessa caixa que embala discos de uma fase divina, maravilhosa e plural da discografia da cantora. A pluralidade é atestada já no confronto do primeiro álbum de Gal - Domingo (1967), dividido com Caetano Veloso, arranjado por Dori Caymmi e moldado com devoção às lições do mestre João Gilberto - com o segundo, Gal Costa (1969)  gravado em 1968, no olho do furacão tropicalista, mas lançado somente no início do ano seguinte. Sob as bençãos da Tropicália, Gal Costa cruzou informações do iê-iê-iê da época com suas origens regionalistas (Sebastiana, sucesso de Jackson do Pandeiro, gravado em dueto com Gilberto Gil) em disco efervescente que lançou Não Identificado (Caetano Veloso) e incluiu antológicas gravações de Baby e Divino Maravilhoso.  Na sequência, ainda em 1969, a cantora mergulhou fundo na onda psicodélica da época em Gal (1969), álbum de espírito roqueiro que contou com as guitarras viajantes de Lanny Gordin, trouxe a gravação original de Meu Nome É Gal (presente de Roberto Carlos e Erasmo Carlos) e fez sucesso com País Tropical (em registro que uniu o canto juvenil de Gal às vozes de Caetano Veloso e Gilberto Gil, gravadas antes de eles serem forçados a se exilar em Londres). Diz a lenda que foi ouvindo gravações como a de Cinema Olympia que Elis Regina (1945 - 1982), então presa à MPB mais tradicional, deu a virada pop iniciada no álbum Em Pleno Verão... (1970). Sim, Gal era a tal em 1970 e - com Gil e Caetano exilados - seguiu carregando a bandeira da contracultura em Legal (1970), disco produzido por Manoel Barenbein com arranjos de base de Jards Macalé e Lanny Gordin. O repertório antenado de Legal destacou London London, dada por Caetano em Londres - numa das visitas de Gal aos amigos - e lançada antes em compacto. Embora menos psicodélico do que Gal, Legal manteve a cantora como a musa da contracultura. Posto sedimentado com Fa-Tal  - Gal a Todo Vapor (1971), o duplo disco ao vivo produzido por Paulo Lima sob a direção de Waly Salomão (1943 - 2003). É o disco em que Gal lança Luiz Melodia (Pérola Negra), eterniza Vapor Barato (Jards Macalé e Waly Salomão) e canta Novos Baianos (Dê um Rolê) antes da consagração do grupo com o álbum Acabou Chorare (1972). Em seguida, Índia (1973) - disco inspirado no show homônimo e gravado sob a direção musical de Gil - destacou a regravação da guarânia paraguaia (lançada no Brasil pela dupla Cascatinha e Inhana) que deu nome ao bom álbum. Reembalada em um monumental arranjo de cordas arquitetado por Rogério Duprat (1932 - 2006), Índia ficaria desde então associada também ao nome de Gal, mas o hit do disco foi Presente Cotidiano, inédita ofertada por um grato Luiz Melodia. Em Índia, o álbum, ainda ressoou alguns ecos tropicalistas, mas foi trabalho de transição que preparou o terreno para a modernidade atemporal de Cantar (1974), disco produzido por Caetano Veloso e Perinho Albuquerque. Urdido fora da estética tropicalista, Cantar aproxima a artista de João Donato, com quem Gal gravou A Rã, Flor de Maracujá, Até Quem Sabe e a menos conhecida Chululu. Caetano contribuiu para o repertório com músicas então inéditas como Lua, Lua, Lua, Lua. Mas veio da lavra de Gil o tema, Barato Total, que daria projeção ao disco e ficaria eternamente associado ao canto de Gal. Na sequência, no embalo do estouro de sua gravação de Modinha para Gabriela, veiculada em 1975 na abertura da novela Gabriela, a cantora dedicou um disco ao repertório de Dorival Caymmi (1914 - 2008) quando o mercado ainda não estava habituado com songbooks do gênero. Gal Canta Caymmi (1976) - encaixotado em Gal Total sem a capa e encarte originais por questões jurídicas - resiste bem ao tempo por conta dos arranjos de João Donato e Perinho Albuquerque, que embalaram o cancioneiro de Caymmi com respeito à obra, mas sem excessiva devoção à sonoridade clássica da obra do mestre. Em seguida, sempre plural, Gal voltou no tempo e reavivou sua alma roqueira num show, Com a Boca no Mundo (1977), que originou o álbum Caras & Bocas, ainda hoje injustiçado. O hit imediato foi Tigresa (Caetano Veloso), mas, com o tempo, Negro Amor (versão de Caetano e Péricles Cavalcanti para um tema de Bob Dylan, It's All Over Now, Baby Blue) se tornaria cult como este disco em que Gal lançou Marina Lima (Meu Doce Amor). Na sequência, Gal abandonou a pegada roqueira e fez um disco enraizado no mainstream da MPB. Água Viva (1978) juntou pela primeira vez o canto cristalino de Gal a uma música de Chico Buarque, Folhetim,  hit radiofônico do LP em que a cantora gravou a primeira parceria de Milton Nascimento com Caetano Veloso (Paula e Bebeto) e reviveu um sucesso de Dalva de Oliveira (1917 - 1972), Olhos Verdes (Vicente Paiva). Estava preparado o terreno para a construção da fase tropical. Gal Tropical (1979), o disco, foi o registro de estúdio do show homônimo que deu a Gal o sucesso comercial que seus discos da fase tropicalista, a rigor, nunca tinham lhe dado. Balancê - marchinha de Braguinha (1907 - 2006) lançada em 1937 por Carmen Miranda (1909 - 1955) sem repercussão - foi o grande estouro de um disco que alinhava no repertório regravações de Força Estranha, Noites Cariocas, Estrada do Sol, Índia, Juventude Transviada e Meu Nome É Gal. Como o sucesso de Gal Tropical se estendeu ao longo de 1980, gravar um songbook de Ary Barroso (1903 - 1964), Aquarela do Brasil (1980), foi a saída encontrada por Gal para cumprir a obrigação contratual do disco anual e ganhar tempo para juntar o repertório de Fantasia (1981), lançado antes em show malhado pela crítica. Apesar de seguir a fórmula tropical do trabalho anterior e de já recorrer aos sons sintetizados que dariam o tom dos discos de MPB feitos nos anos 80, Fantasia continua sendo um dos melhores álbuns de Gal pela qualidade do repertório que destacou Festa do Interior (o frevo-quadrilha de Moraes Moreira e Abel Silva, hit radiofônico), Meu Bem, Meu Mal (canção de Caetano Veloso), Roda Baiana (samba de Ivan Lins e Vítor Martins, compositores até então nunca gravados por Gal), Canta Brasil (antigo samba-exaltação David Nasser e Alcyr Pires Vermelho) e O Amor (Caetano Veloso e Ney Costa Santos sob poema de Vladimir Maiakovski) - sem falar nas duas pérolas de Djavan, Açaí e Faltando um Pedaço, gravadas por Gal de forma definitiva. Mas o fato é que a receita tropical já não soou tão saborosa no posterior Minha Voz (1982), apesar do sucesso do frevo Bloco do Prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo) e da canção Azul (de Djavan, compositor recorrente na discografia de Gal nos anos 80). Já pausterizado, Baby Gal (1983) fechou melancolicamente a passagem de Gal pela Philips. Guiada pela luz de seu cristal e pelo conceito de seus produtores (Caetano Veloso, Waly Salomão, Gilberto Gil, Perinho Albuquerque, Roberto Menescal e Guilherme Araújo, empresário que atuou na produção dos discos da fase tropical), Gal foi divinamente plural na Philips!!

01/10 - Show 'Voz & Violão' em Sampa (Anhembi)

02/10/10 - Voz de Gal dá vida a (feliz) show de entressafra
Fonte: Notas Musicais - Por Mauro Ferreira

Foto: Mauro Ferreira

Resenha de Show

Título: Gal Total
Local: Palácio do Anhembi (SP)
Data: 1° de outubro de 2010
Cotação: * * * *

O recital de voz & violão apresentado (ocasionalmente) por Gal Costa no Brasil e no exterior - ora intitulado Gal Total para aludir à homônima recém-lançada caixa de reedições da obra da cantora na extinta gravadora Philips - é mero show de entressafra, ponte entre o abortado Hoje (2005) e a turnê que chega à cena em 2011 para badalar o disco a ser lançado com produção de Caetano Veloso e Moreno Veloso. Mas a voz cristalina da intérprete dá vida a um show que poderia resultar banal se a cantora em cena não fosse Gal Costa. Com sua voz que - parafraseando os versos de Caetano Veloso em Minha Voz, Minha Vida, música escolhida para abrir o roteiro calcado em sucessos - tem sido sua bússola, mas também sua desorientação, Gal cria atmosfera de sedução que embeveceu o público que foi em 1º de outubro de 2010 ao Palácio do Anhembi, em São Paulo (SP), conferir à apresentação única do show na capital paulista. Ainda em forma, o cristal de Gal dá brilho a músicas conhecidas, mesmo às mais batidas, como a Garota de Ipanema de Tom & Vinicius, trazida "de jatinho" a Sampa como brincou Gal em cena. A propósito, Gal nunca esteve tão falante e bem-humorada no palco. É nítido o seu prazer ao desfiar o roteiro do concerto na companhia do violão de Luiz Meira. Nada tem a intensidade de tempos idos. Mas tudo soa leve, sedutor, às vezes até arrebatador (como a interpretação de Vapor Barato que fez a plateia saudosa de Gal a aplaudir de pé). Talvez porque, em sua voz precisa, Gal traga uma vida que se entrelaça com o melhor que foi produzido na música brasileira ao longo dos tempos, de Dorival Caymmi (Vatapá, ainda saboreado com gosto pela cantora, e o samba-canção Sábado em Copacabana) e Ary Barroso (Camisa Amarela e uma Aquarela do Brasil que culmina numa batucada de voz & violão) a Chico Buarque (Folhetim, Samba do Grande Amor e Quem te Viu Quem te Vê) e Djavan (Azul, com tons mais suingantes), passando naturalmente pela Bossa Nova (Wave, número em que Gal explora os tons graves de sua voz, ora mais aveludada e menos cristalina) e, claro, por Caetano Veloso (Você Não Entende Nada, Força Estranha e Meu Bem, Meu Mal), o compositor que a tem  guiado ao longo da carreira, como a bússola que a livra de muitas desorientações. Até o frevo-quadrilha Festa do Interior (Moraes Moreira e Abel Silva), resquício da vivaz fase tropical de Gal, reaparece no roteiro (com Meira tentando evocar no violão a batida veloz do tema de 1981), sem tirar a cantora do cômodo tom de diva da canção brasileira. Somente a melosa Chuva de Prata (Ed Wilson e Ronaldo Bastos) lembra tempos de desorientação em que Gal banalizou seu canto e, sem bússola, se deixou levar pelos ventos fugazes do mercado fonográfico. Só que a vida que ela traz na voz, aos 65 anos, paira acima de tudo. E o prazer que Gal sente e proporciona em cena ao se valer de sua voz faz show transitório ser totalmente demais...

sábado, 2 de outubro de 2010

01/10 - Show 'Voz & Violão' em Sampa (Anhembi)

Repercussões na Imprensa sobre o show de Gal Costa no Palácio das Convenções (Anhembi)

02/10/10 - Gal canta Caymmi, Gil, Djavan e Ed em 'Total'
Fonte: Blog 'Notas Musicais' - Por Mauro Ferreira

Foto: Mauro Ferreira

Show de caráter retrospectivo, calcado em sucessos, Gal Total enfileira no roteiro músicas de compositores recorrentes na discografia de Gal Costa. Na companhia do violão de Luiz Meira, a cantora revive temas de Dorival Caymmi (1914 - 2008), Tom Jobim (1927 - 1994), Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan, Ary Barroso (1903 - 1964) e Chico Buarque. Uma das poucas músicas não associadas de imediato à voz cristalina da intérprete é Trem das Onze, mas o clássico de Adoniran Barbosa (1910 - 1982) já é recorrente no roteiro deste show de voz & violão que Gal vem apresentando pelo Brasil nos últimos quatro anos. A única surpresa do repertório da bela apresentação de Gal Total no Palácio do Anhembi (SP), em 1º de outubro de 2010, foi Chuva de Prata, a balada açucarada de Ed Wilson e Ronaldo Bastos que Gal gravou em 1984 no bom álbum Profana e que marcou o início da (breve) fase de popularização de seu repertório.

Eis o sedutor roteiro seguido por Gal Costa na apresentação (única) do show Gal Total no Palácio do Anhembi:

1. Minha Voz, Minha Vida (Caetano Veloso)
2. Eu Vim da Bahia (Gilberto Gil)
3. Azul (Djavan)
4. Meu Bem, meu Mal (Caetano Veloso)
5. Camisa Amarela (Ary Barroso)
6. Folhetim (Chico Buarque)
7. Vatapá (Dorival Caymmi)
8. Samba do Grande Amor (Chico Buarque)
9. Wave (Tom Jobim)
10. Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
11. Sábado em Copacabana (Dorival Caymmi e Jorge Guinle)
/ Copacabana (João de Barro e Alberto Ribeiro)
12. Você Não Entenda Nada (Caetano Veloso)
13. Vapor Barato (Jards Macalé e Waly Salomão)
14. Sorte (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos)
15. Trem das Onze (Adoniran Barbosa)
16. Quem te Viu, Quem te Vê (Chico Buarque)
17. Festa do Interior (Moraes Moreira e Abel Silva)
18. Aquarela do Brasil (Ary Barroso)
Bis:
19. Chuva de Prata (Ed Wilson e Ronaldo Bastos)
20. Força Estranha (Caetano Veloso)

01/10 - Show 'Voz & Violão' em Sampa (Anhembi)

Repercussões na Imprensa sobre o show de Gal Costa no Palácio das Convenções (Anhembi)

02/10/10 - Violão de Meira dialoga com Gal no show 'Total'
Fonte: Blog 'Notas Musicais' - Por Mauro Ferreira

Gal Costa e Luiz Meira - Foto: Mauro Ferreira

Ocupando no palco um posto que já foi de Raphael Rabello (1962 - 1995) e de Marco Pereira, o catarinense Luiz Meira é o (ótimo) violonista que acompanha Gal Costa no show de voz & violão que a cantora vem apresentando nos últimos anos pelo Brasil e que chegou a São Paulo (SP) na noite de 1º de outubro de 2010, ora intitulado Gal Total para remeter à homônima caixa recém-lançada pela Universal Music com reedições da (bela) discografia da cantora na extinta gravadora Philips. A única apresentação paulista do show aconteceu no Palácio do Anhembi. O violão de Meira interage com a voz cristalina da intérprete em números como o Samba do Grande Amor (Chico Buarque) e Aquarela do Brasil (Ary Barroso). Luxo!!!

sábado, 3 de abril de 2010

sexta-feira, 2 de abril de 2010

10/02/07 - Show em homenagem aos 113 anos de nascimento de Mãe Menininha do Gantois

Gal brilha em tributo que sairá também em CD
Por Mauro Ferreira - 22/02/2007
  
Além de sair em DVD, o show realizado na Bahia em tributo a Mãe Menininha do Gantois (1894 - 1986), no sábado, 10 de fevereiro, também será registrado em CD. De acordo com as impressões de quem assistiu ao espetáculo, o brilho maior foi de Gal Costa ao interpretar as músicas Força Estranha e Luz do Sol. Gal também cantou Milagres do Povo em dueto com Caetano Veloso, que fez sua Oração ao Tempo. Maria Bethânia entoou Yayá Massemba, Águas de Cachoeira e o samba-enredo Das Maravilhas do Mar Fez-se o Esplendor de uma Noite. Já Mariene de Castro defendeu músicas como Agradecer e Abraçar. Márcia Short cantou Iansã e Graciosa Yá. E Gerônimo ficou com Salve as Folhas e É d'Oxum. No fim, todos cantaram Oração a Mãe Menininha e O Que É, O Que É. Daniela Mercury, que iria participar do show, teria ficado presa em São Paulo e não chegou a tempo de saudar a ialorixá em cena.

10/02/07 - Show em homenagem aos 113 anos de nascimento de Mãe Menininha do Gantois

Caetano, Bethânia e Gal cantam para Mãe Menininha
Fonte: A Tarde Online - 10/02/2007

Com atraso de 40 minutos e sem Daniela Mercury no palco, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Marienne de Castro, Gerônimo e Márcia Short cantaram na noite deste sábado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, em homenagem aos 113 anos de nascimento de Mãe Menininha do Gantois, que morreu em 1986.

Só o encontro de Caetano, Bethânia e Gal já seria um acontecimento. Atrás, mãe Carmen, filha da ialorixá, outros familiares e seguidores, entre eles Dona Canô, a matricarca da família Veloso, de 99 anos. E atrás deles, um painel do tamanho do palco com uma foto de Mãe Menininha e seu emblemático sorriso.

O grande encontro

O que importava na noite, para o público de 5 mil pessoas que estava na Concha do TCA, era a música, que rendeu homenagens para todos os gostos, especialmente com algumas preciosidades do cancioneiro baiano.

Todos entraram no palco às 18h40. Bethânia foi a primeira a cantar, entoando "Navio Negreiro", poema de Castro Alves, como prévia de "Yá Yá Massemba". Sentada na frente da mãe, Bethânia ainda cantaria e veria outras leituras de músicas conhecidas em sua voz, em novas versões interpretadas por Gerônimo, Marienne e Marcia Short.

Caetano dançou, cantou ("Tempo, Tempo, Tempo", "Lua de São Jorge" e "Milagres do Povo") e também foi interpretado.

Gerônimo repetiu os sucessos do passado, como "É de Oxum" e "Sou Negão", além de uma versão com ajuda de Bethânia para "Salve as Folhas", cuja letra é dele com Ildásio Tavares. Marienne entoou "Abracei o Mar", entre outras, e pediu a benção a Bethânia, que repetiu o gesto, beijando a mão da cantora que é a mais nova revelação da Bahia.

A noite que era de Mãe Menininha, no entanto, foi de Gal. A cantora foi aplaudida em cena aberta e em pé em todas as suas atuações. Cantou "Força Estranha", "Luz do Sol" e puxou o coro para "Embala Eu", que encerraria a noite, não fossem as repetições forçadas pela gravação do DVD.

A atriz Regina Casé permaneceu no palco, sentada ao lado dos cantores, provavelmente no lugar que seria de Daniela. Leu dois textos e justificou sua presença, por também ter conhecido Mãe Menininha e a venerar.

Atraso no vôo

Segundo o secretário de Estado da Cultura, Márcio Meirelles, diretor-geral do show, Daniela ficou "presa" em São Paulo por conta de atrasos no vôo que pegaria para Salvador. A versão foi confirmada por sua assessoria de imprensa.

Ao final do show, quando anunciara que teriam de ser repetidas duas músicas que tiveram problemas na captação de áudio e vídeo para o DVD que estava sendo gravado no espetáculo, Meirelles fora vaiado duas vezes pela platéia. E, prontamente, defendido por Gal Costa.

"Daniela não pode vir porque teve problemas com o vôo em São Paulo", disse, sob vaias do público que lotava a Concha Acústica. "Márcio Meirelles merece os aplausos de vocês", defendeu a cantora.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

2005 - Hoje

Sexta-feira, Setembro 02, 2005

O tempo de Gal


Gal Costa completa 60 anos em 26 de setembro sem sentir o peso da idade. A leveza está confirmada em seu novo CD, Hoje, nas lojas na segunda-feira, 5. "Não me sinto com 60 anos e o disco é uma prova disso. Eu me sinto começando, estou sempre recomeçando", avalia a cantora (na foto, clicada por Fernanda Cardoso no estúdio da Trama).

De fato, Hoje significa uma lufada de ar fresco na trajetória de uma cantora que já foi legal, fatal e tropical. É o primeiro disco de Gal na gravadora independente Trama e traz repertório inédito formado basicamente por músicas de compositores que vivem à margem do mercado (Nuno Ramos, Clima, Tito Bahiense, Moisés Santana, Junio Barreto, Péri, Hilton Haw). Além do repertório renovado, Hoje marca o encontro da cantora com César Camargo Mariano, produtor do disco e mentor da sonoridade atual, gravada com músicos jovens recrutados entre os colaboradores fixos dos álbuns editados pela Trama.

"Por incrível que pareça, o disco acabou ficando radiofônico", surpreende-se Gal. A garimpagem do repertório foi feita com a ajuda de Carlos Rennó - parceiro do africano Lokua Kanza em três faixas - depois que uma triagem inicial, feita por Otávio de Moraes, desagradou a cantora. "Eram músicas até boas, mas que não faziam parte do meu universo musical", justifica Gal.

Das mãos de Rennó, Gal recebeu discos de nomes como Moisés Santana, Junio Barreto e Rômulo Fróes (cantor e compositor que grava sambas de Nuno Ramos). A partir da audição destes CDs, todos editados de forma independente, a cantora chegou ao repertório de Hoje. "São músicas antenadas com o meu estilo de interpretação", entende Gal.

O frescor do repertório inspirou o clima ameno da gravação do CD. "A gente fez um disco com emoção, com alto nível musical. Ficou um clima bacana. Só tem garotada na banda... Os encontros são sempre estimulantes, e meu encontro com César me renovou", ressalta Gal.

Entre os autores "novos" (a maioria já passa dos 40), há a presença de dois ilustres veteranos: Caetano Veloso e Chico Buarque. De Caetano, Gal pediu e recebeu a inédita Luto, canção tristonha em que o velho baiano desfia suas desilusões amorosas em mais uma letra de tom confessional (porém de versos bem mais refinados do que os do samba Tiranizar, recém-gravado por Leila Pinheiro). De Chico, a cantora ganhou enfim Embebedado, a parceria inaugural do compositor com José Miguel Wisnik (autor da letra) que havia sido prometida para o show Todas as Coisas e Eu. "Chico e Caetano estão no disco porque são dois compositores que fazem parte da minha história e que influenciaram todo este povo novo que está no CD", argumenta Gal.

A história da baiana quase sessentona continuará em fim de outubro (ou início de novembro) com a estréia da turnê de lançamento de Hoje, que vai ser registrada pela Trama para virar um bem-vindo DVD. Aos 60 anos, Gal Costa está na área com um disco de 20.

2005 - Hoje

Gal grava o 'som de hoje' sem descaracterizar seu canto cristalino


Resenha de disco
Título: Hoje
Artista: Gal Costa
Gravadora: Trama
Cotação: * * * *


O tempo de Gal Costa voltou a ser hoje. Depois de quatro CDs sucessivos com regravações de sucessos (alguns irretocáveis como o recente Todas as Coisas e Eu), a cantora ensaia nova guinada em discografia que já soma 40 anos - seu primeiro compacto é de 1965. Hoje marca a estréia de Gal na gravadora Trama e é um disco fresco, atual, como sugere seu título. Fruto do encontro profissional da artista com o produtor César Camargo Mariano, o CD aposta em compositores que militam à margem do mercado. Mas a delicada sonoridade urdida por Mariano - com alguns elementos afros, sobretudo por conta dos vocais destacados de Silvera em faixas como Santana, do pernambucano Junio Barreto - passa longe da vanguarda.

Como sinaliza a pose da capa, Hoje é um disco calmo, quase contemplativo, ora mais melancólico (como em Pra que Cantar?, samba de Nuno Ramos, e como em Luto, a inédita de Caetano Veloso), ora até bossa-novista (como em Os Dois, em que o baiano Moisés Santana cita na letra alguns clássicos da velha bossa). Até Moreno Veloso, artista identificado com a linguagem experimental, surpreende e comparece com uma canção formal (a faixa-título) e um samba delicioso (Um Passo à Frente, com Quito Ribeiro). Aliás, nos sambas, como Jurei (de Nuno Ramos e Clima), o suingue dos arranjos evoca discos de Elis Regina nos anos 70, não por acaso produzidos por Mariano.

Entre três parcerias do africano Lokua Kanza com Carlos Rennó (Te Adorar, Mar e Sol e Sexo e Luz), há uma melodia quebrada de Chico Buarque, letrada por seu novo parceiro José Miguel Wisnik. Embebedado, a música, é até formalmente mais ousada do que os temas dos autores supostamente "novos". Nesse sentido, o mais experimental é o baiano Tito Bahiense, autor de Logus Pé, a faixa mais "moderninha" de um disco que abriga o suingue afro-caribenho na deliciosa Voyeur, do também baiano Péri. Enfim, Hoje é um dos melhores e mais arejados discos de Gal Costa, mas não descaracteriza o canto da eterna diva tropicalista.
Gal Costa ilumina novos autores no CD "Hoje"
Adriana Del Ré - Estado de São Paulo - 02/09/2005
      
A cantora retoma o rumo de sua carreira, com novo disco produzido por César Camargo Mariano

São Paulo - Hoje, faixa-título de seu novo CD (o primeiro dela lançado pela gravadora Trama), diz: "Eu posso esquecer/Para ser mais feliz/Mas não vou mudar nada/De tudo que eu fiz". No dia 26, Gal Costa entra para a turma dos 60 anos, da qual já fazem parte Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque de Holanda.

A cantora baiana que ganhou o título de cidadã paulistana, resolveu se instalar em São Paulo, onde gravou o álbum Hoje, por dois meses, com o produtor Cesar Camargo Mariano e uma trupe de jovens músicos, na faixa dos 20, escolhidos pelo próprio Cesar, com quem ela já tem estrada. Ele fez arranjos para algumas canções do disco Baby Gal, na década de 80, entre outros.

Hoje reúne músicas de autores desconhecidos. Com ajuda de Carlos Rennó, Gal trouxe à luz compositores que contabilizam muito tempo de estrada e já haviam gravado quase todas as canções pinçadas por ela em seus respectivos CDs independentes, como é o caso de Péri, Moisés Santana, Junio Barreto, entre outros. Há inéditas compostas especialmente para ela por Caetano Veloso, Chico Buarque e Zé Miguel Wisnik. Segundo ela, são compositores que não se pode dispensar.

A crítica especializada acreditava que a carreira da cantora havia perdido o rumo e já lhe cobravam um álbum com novidades. No novo álbum, Gal acertou a mão na escolha dos autores, feita sob aconselhamento de Cesar. Já Cesar imprimiu um refinamento e um engrandecimento aos arranjos de uma forma que lhe é muito característica. O produtor, que vive há anos nos EUA e aperfeiçoa suas habilidades técnicas com os gringos, é um perfeccionista convicto e famoso por seu apuro musical.

Isso contribuiu e muito para dar uma coerência cool a um repertório pontuado pelas melodias africanas do congolês Lokua Kanza (que ainda faz participação especial na faixa Sexo e Luz), a romântica Voyeur, de Péri, o samba-canção Pra Que Cantar, do artista plástico Nuno Ramos, a melancólica Luto, de Caetano.

Cesar Camargo não vai poder acompanhar Gal no piano na nova turnê da cantora pelo País. De acordo com ela, é bem provável que os ensaios sejam marcados para o final de setembro e o novo formato de show sairia na seqüência. Gal já planeja ser acompanhada por um quinteto de músicos e um "computadorzinho", que se encarregará de reproduzir recursos pré-gravados. Para o repertório, canções do novo disco, músicas que já gravou e talvez até algumas que nunca tenha cantado. E mais uma música de autor desconhecido que ficou de fora do novo CD, mas vai estar no DVD do show.

No mais, ela comenta a situação política do País, reiterando a frase de Caetano e Chico: estou de coração partido."

2005 - Hoje

Gal faz garimpo musical e lança álbum com inéditas
Luiz Fernando Vianna - Folha de São Paulo - 02/09/2005
     
Depois de sete anos lançando discos com repertórios isentos de novidades, Gal Costa volta ao presente com "Hoje". O título significativo foi retirado de uma canção de Moreno Veloso, que, não fosse filho de Caetano, poderia entrar no largo rol de compositores pouco ou nada conhecidos do CD.

"Achei que "Hoje" se adequava, porque estou fazendo 60 anos [em 26 de setembro] com um disco rejuvenescedor, instigante. Não me lembro, na história da MPB, de alguém que tenha lançado tanta gente nova para o grande público", orgulha-se a cantora.

Gal passou os últimos anos trocando de gravadora (BMG, MZA, Abril, Indie) e sendo cobrada para lançar um disco de inéditas. Agora na Trama e morando em São Paulo -depois de sete anos em Salvador- ela diz ter ficado mais próxima dos novos autores.

"É preciso ter disponibilidade para ir aos lugares, procurar. Os compositores estão escondidos e têm dificuldade de mostrar seu trabalho. Na minha geração era mais fácil, pois havia os festivais e a mídia estava disponível para registrar tudo o que acontecia nas ruas, nas faculdades, nas festas."
Com a ajuda da Trama e do letrista Carlos Rennó, Gal recebeu cerca de 200 músicas inéditas ou gravadas apenas por seus autores. A qualidade que afirma ter encontrado é um mote para ela rechaçar que tenha afirmado, em 2001, que não havia bons compositores novos no Brasil.
"Não sou louca de dizer uma frase dessa. Fui mal interpretada. O que disse é que, quando fiz "Aquele Frevo Axé" [1998], um disco que passou em branco e hoje parte da imprensa reconhece como bom e de certa forma inovador, não encontrei nada que se adequasse ao meu universo musical. Existem bons [compositores] sim", afirma.
Alguns desses, estão em "Hoje": os baianos Moisés Santana, Péri e Tito Bahiense; o pernambucano Junio Barreto; e o paulista Hilton Raw. Há outros "novos compositores" de outras áreas, como os artistas plásticos Nuno Ramos, Eduardo Climachauska e Lenora Barros, e o jornalista Marcos Augusto Gonçalves, editor de Opinião da Folha.

"Péri, Moisés e Junio, por exemplo, gravaram discos independentes e estão ralando há bastante tempo, mas ninguém dava trela. Tive a oportunidade de ter acesso a esse material e lançá-lo", diz Gal.

Liderando a turma, autora de três das 14 faixas, está a dupla formada pelo paulista Carlos Rennó e o músico Lokua Kanza, nome conhecido na seara world music, nascido no antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo.

"No show que vou começar a montar, ainda pretendo incluir um ou dois compositores que eu queria ter gravado, mas ficaram de fora", conta ela.
Representando sua geração, estão, com uma inédita cada, Caetano ("Luto") e Chico Buarque ("Embebedado", com letra de José Miguel Wisnik). Eles aparecem discretos no disco, nas faixas 9 e 13, respectivamente. "A escolha das faixas foi casual", diz Gal.

"Hoje" foi feito de uma forma pouco comum nos tempos atuais: com uma mesma banda tocando em quase todas as faixas e um mesmo arranjador, Cesar Camargo Mariano. "Cesar vive um momento bem "cool", e eu sou uma cantora essencialmente "cool"."

O sonho inicial de Cesar, de fazer com a cantora um disco dedicado ao repertório de Chet Baker, ficou para 2006.

Foi o pianista quem fez a ponte entre a Trama, de seu enteado João Marcello Bôscoli, e Gal. Ela nega que tenha sofrido pressões de gravadoras nos discos anteriores ("Eu estava gravando as coisas que eu queria"), mas se diz feliz em ter seguido o caminho das independentes, como fizeram os também "medalhões" Maria Bethânia e Chico Buarque.

"Eles [da Trama] gostam de fazer o que o artista quer, trabalhar em comunhão. Isso não tem preço. É um clima muito melhor do que o anterior", comenta.

Ela não deixa vazar nenhum temor por estar lançando um CD de compositores novos por um selo menor: "Meu público é fiel".

"Hoje" chega "rejuvenescedor" em um momento "muito ruim" no país. "É desolador o PT ter vindo com um discurso de mudança, e acabar sendo revelado que [o partido] não era só conivente, mas fez tudo em dobro. Espero que esse processo seja um exorcismo, para limpar essa bandalheira. Estou muito entristecida."

Intérprete mostra fôlego e coragem

"Hoje" não é a redenção milagrosa de Gal, como cogitavam fãs descontentes e críticos contentes com o desgoverno recente de sua carreira, e muito menos um desastre. É um bom disco, cujo mérito maior é o renascimento da coragem da cantora.
Gal Costa rejeitou o modelo embalsamador de diva, que ameaçava incorporar, e voltou às novas composições. O resultado de sua colheita é irregular, mas os bons frutos são maioria.
Um deles é a faixa-título, canção de Moreno Veloso que tem sua força na extrema delicadeza de melodia e letra. Na mesma chave está "Nada a Ver" (Hilton Raw, Lenora e Marcos Augusto), em que a melancolia das notas longas se traduz no piano e no baixo acústicos que acompanham Gal.
Cesar Camargo Mariano volta a brilhar no piano e no arranjo de "Pra que Cantar", um belo samba de fossa anti-Carnaval ("Me deixem fora dessa euforia de três dias") de Nuno Ramos. O artista plástico também é um dos autores de "Jurei", eficiente sambão com toques jazzísticos.

Em "Os Dois", a melodia de Moisés Santana é ótima, um samba-canção que vira blues nas regiões graves, mas a letra traz o enjôo das duplas citações: faz jogos de palavras com músicas da bossa nova, como Caetano Veloso fizera em "Saudosismo".

"Santana" (Junio Barreto/João Carlos), de letra intrincada, ficou com boa mistura entre acústico e eletrônico, emulando um pouco de Jorge Ben Jor. Este é referência nítida em "Logus Pé" (Tito Bahiense), um passeio surrealista pelas ruas de Salvador que ganha de Gal interpretação à anos 70.
Em "Voyeur" (Péri), a tibieza da música é disfarçada pela agradável leveza baiana do clima criado por Gal e Cesar. Essa leveza também está na faixa de abertura, "Mar e Sol", mas a letra de Carlos Rennó para a melodia de Lokua Kanza é por demais banal.

Os dois são parceiros na também banal "Te Adorar" e na múltipla "Sexo e Luz", que cativa pelos caminhos inusitados e crescendos, ótimos para Gal. A gravações tem vocais de Kanza, bem superiores aos que o paulista Silvera faz em outras faixas.

A contribuição de Caetano ("Luto") é, também, uma bela canção situada no Carnaval, sofrida declaração de amor à festa. Chico Buarque, ao lado do aqui letrista José Miguel Wisnik, participa com a deliciosamente sinuosa "Embebedado".
Cantando com suavidade e novo fôlego, Gal reencontra o amanhã em "Hoje".

2005 - Hoje

Gal atual
Tárik de Souza - Jornal do Brasil - 12/08/2005
      
Raro caso de cantora que revela (e não releva) a idade, Gal Costa crava sessentinha em setembro a bordo de um disco rejuvenescedor. Hoje, produzido por Cesar Camargo Mariano, abre janelas para novos autores, como Moisés Santana, Péri, Junio Barreto, Tito Bahiense, Moreno Veloso & Quito Ribeiro, Nuno Ramos & Clima e o trio Hilton Raw, Lenora de Barros e Marcos Augusto. “Pra mim é uma honra poder mostrar o trabalho dessa rapaziada, que muitas vezes tem dificuldades de divulgar sua produção na mídia. Era uma inquietação minha”, garante. Ao lado dos mais novos nativos, ela inclui o africano Lokua Kanza, contemplado com três faixas, uma delas, Sexo e luz, em dueto com a diva. As três são inéditas, parcerias com o letrista Carlos Rennó, co-autor também de Te a d o ra r e Mar e sol. A última e a primeira foram feitas praticamente por encomenda de Gal. Rennó aproveitou a vinda de Kanza para um show em Brasília e o levou a participar do disco. Quem também esteve no estúdio, mas apenas para ver a gravação da faixa que compôs especialmente para Gal – Luto –, foi Caetano Veloso. “Como toda música dele, esta me emociona. Quando fui gravar, chorava eu, chorava Cesar, chorava o técnico de som”, debulha-se. Outra atração do disco, que marca a estréia da cantora na Trama de João Marcelo Bôscoli, filho da ex-rival Elis Regina, é Embe bedado, inesperada parceria em que Chico Buarque fez a música (encomenda para o show de Gal Todas as coisas e eu) e Zé Miguel Wisnik escreveu a letra.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

1979 - Gal Tropical

Seu nome é Gal  

Revista Visão - 24/01/1979
Por Joaquim Ferreira dos Santos
Material disponibilizado por Antonio Saldanha no Site Argentino.

Ainda. E agora, depois dos 30, muito melhor.

Gal Costa não queria, mas fez 33 anos. Abandonou a rebeldia e o colar de espelho biseauté onde refletiu o rosto dos que a vaiaram em 1968, quando cantava "Divino Maravilhoso", no festival da Record. Também não se deita mais no palco, simulando êxtase.

Por uma última vez, no ano passado, no show "Com a boca no Mundo", ainda se apresentou de guitarra em punho e roupa de couro justíssima, como se acabasse de pular da motocicleta transviada de Marlon Brando em "O selvagem".

Mas levou um tombo: fora de seu tempo, Gal era apenas uma triste nostálgica dos dias em que, aos gritos, libertou as cantoras brasileiras da rigidez técnica e dos bons modos em cena.

Seja pelos 33 anos, seja pela psicanálise diária, a verdade mais evidente do atual show GAL TROPICAL (Teatro dos Quatro, Rio de Janeiro) é que a guerrilheira dos anos 60, a proclamar a criatividade e o poder dos jovens, convenceu-se de que há também beleza na maturidade. E parece feliz, de bem com todos. Acabaram-se os excessos cênicos, a platéia é agora um grupo de amigos que se procura agradar - Gal quer ser profissional. E consegue: poucas vezes apresentou-se no palcos da cidade, reino de amadores esforçados, algo tão curioso e bonito.

Respirando fundo - Às vezes sutil, essa maturidade se reflete na sensualidade, que não desapareceu, mas mudou. Gal continua bonita, sorri dengosa, surge no palco por uma escada negra de frisos coloridos em neon e veste-se com uma rumbeira cor de abóbora, que gentilmente permite a visão de suas coxas. Não há mais, porém, banquinhos destinados a posições maliciosas nem encenações tipo "olha como eu sou gostosa". Também na interpretação percebem-se sinais de evolução: por sapato alto 7,5 e uma Gal com 49 kilos, 12 a menos que em 1968. A impressão é a de que vai começar um bom show de Carlos Machado na boate Night and Day. Como cenário, colocaram-se apenas sete palmeiras sobre um fundo negro. "O importante é a alegria", reconhece o empresário e agora também diretor Guilherme Araújo, 44 anos. "Não tive medo de clichês",

Antes de tudo, iniciando a apresentação, corta a cena o pandeirista Zizinho, solando com o mesmo charme sorridente dos sambistas de Sargentelli. Gal Costa, ex-musa tropicalista, acompanhada por músicos de escola de samba carioca? "Ela nunca tinha ocupado esse espaço do samba assim tão marcado, eu achei que ficava bem com a nova imagem", diz Guilherme Araújo. Mas as surpresas seguirão até o final, neste show cheio de outras exaltações à música brasileira. Gal sempre gostou de Janis Joplin, Billie Holiday, mas dessa vez, fez reverência mais as nossas grandes intérpretes: do repertório de Carmen Miranda, Gal brinca com os graves da primeira parte da marchinha "Balancê", da dupla de ouro dos carnavais, Braguinha e Alberto Ribeiro. Passa por Dalva de Oliveira, discotecando "Olhos verdes", de Vicente Paiva. Do repertório de Emilinha Borba canta o bolero "Dez Anos".

Irresistível - Em cada uma dessas músicas, Gal deixa claro ter superado qualquer desequilíbrio entre a técnica e emoção. "Olha", de Roberto Carlos, transforma-se de repente, para horror de alguns, em "Folhetim", de Chico Buarque, cantado como se Gal, escorada num poste da Lapa, imitasse as tristes contorções de alguma decaída desesperada. Consegue ser eficiente. Em "Força Estranha", de Caetano Veloso, o mistério do ato de criar é cantado junto aos que cultuam a beleza - tudo muito simples, mas armado com evidente carinho. A luz pulsa colorida nos ritmos fortes e esfria exata nos climas românticos. No bom conjunto de músicos, dois ritmistas distribuem alegria traçando coreografias ingênuas.

O final é irresistível: já com uma nova roupa prateada coberta de féricas lâminas aluminizadas, guitarra e cantora imitam-se mutuamente em "Meu nome é Gal", lento blues de início que estoura em violenta batucada.

De novo sambista, os braços levantados no alto da escada, Gal evoca Virgínia Lane cercada de batuqueiros em saudação. Louvam como o público, nesse momento de pé, a madura felicidade de uma artista que renasce em paz com seu tempo.