Mostrando postagens com marcador 1964 - SHOW: NOVA BOSSA VELHA VELHA BOSSA NOVA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1964 - SHOW: NOVA BOSSA VELHA VELHA BOSSA NOVA. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

1964 - Show: Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova

Neste texto, do Correio da Bahia, trechos relatando a importância do Teatro 'Vila Velha' na carreira de Gal, e fazendo isso, eles intercalam matérias de 1964, comentando sobre o início de sua carreira. Em destaque o show "Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova", confiram abaixo:

Teatro Vila Velha foi 'berço' de Caetano, Gil, Gal e Bethânia
Alexandre Lyrio | Redação CORREIO

A balconista da mais cult loja de discos no Porto da Barra conhece a jovem secundarista do Colégio Severino Vieira, irmã do estudante de filosofia, mais tarde apresentado ao aluno de administração. Ainda iniciantes na vida e no gosto pela música, defrontam-se com árdua tarefa. Devem suprir a lacuna deixada por uma peça teatral, do aclamado dramaturgo paulista Gianfrancesco Guarnieri, não concluída na data marcada para a estreia.

É a semana de inauguração do Teatro Vila Velha, em agosto de 1964, e o novo espetáculo, arrumado às pressas, tem nome atrevido para um grupo de artistas apenas promissores.

A peça-concerto Nós, por exemplo é o início de tudo. A primeira vez que Gal Costa, a vendedora de vinis; Gilberto Gil, o aspirante a administrador; Caetano Veloso, o quase filósofo; e Maria Bethânia, a estudante de segundo grau, sobem ao palco juntos.

Ofusca as outras apresentações da semana comemorativa. “Convidamos os parentes mais próximos, primos e irmãos, na tentativa de engrossar a plateia. O que apresentaríamos em apenas um dia durou uma semana inteira. O negócio pegou mesmo”, testemunha um dos diretores do espetáculo na época, o produtor musical Roberto Santana.

Dali pra frente, os quatro se destacariam em carreiras individuais, mas nunca perderiam a ligação quase sobrenatural, com ascendência no teatro mais charmoso da Bahia.

O próprio Caetano, em seu livro Verdade tropical (1997), confessa: “Nunca foi, em nenhum nível, obscuro pra mim que o grupo coeso ao qual eu pertencia era formado por nós quatro, acontecesse o que acontecesse. Eu sentia assim desde o Teatro Vila Velha (...)”.

E completa. “A visão que eu tinha da unidade de destino de nós quatro, a certeza de que éramos companheiros num nível de luta que os outros não conheceriam, destacava o quarteto (...)”.

Antes, não passavam de meros estudantes, jovens apreciadores da boa música. Recém-chegados de Santo Amaro, Caetano e Bethânia foram chamados a fazer parte de um grupo de pesquisa sobre Bossa Nova e outras tendências, idealizado por Santana.

É ele quem os apresenta a Gil, Gal, Tom Zé e Lona, além do artista plástico Emanoel Araújo e as atrizes Conceição Nunes e Maria Moniz. Discute-se João Gilberto, Valter Santos e Carlos Lira.

O repertório de Nós, por exemplo não fugiria muito disso. O próprio cartaz do espetáculo vem grafado: “Show de Bossa Nova”. Mas também há a influência de Dorival Caymmi, Dalva de Oliveira, Pixinguinha e Luiz Gonzaga.

O sucesso seria tanto que, no mês seguinte, Nós, por exemplo ganharia a versão nº 2. E não seria a última. Entre 21 e 23 de novembro de 64, Gil, Caetano, Gal e Bethânia convocaram os demais para novo espetáculo no Vila: Nova Bossa Velha e Velha Bossa Nova repete o êxito e impulsiona a carreira dos idealizadores do futuro Tropicalismo (movimento que não contou com Bethânia).

Ao longo do tempo, todos voltariam a cantar no velho teatro. Caetano faria uma das suas reinaugurações. Bethânia traria do Rio o aclamado espetáculo Opinião, no início dos anos 70. Gil e Bethânia também subiriam várias vezes naquele palco.

“O mais engraçado é que no início ninguém queria ser profissional da música. Nenhum deles”, assegura Roberto Santana. Mas, como aconteceu com muitos outros artistas, o Vila mudou a história dos quatro.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

1964 - Show: Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova

Espetáculo: Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova
Por Douglas Carvalho

com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Alcyvando Luz, Antônio Renato (Perna Fróes), Djalma Corrêa e Fernando Lona
21 a 23 de novembro de 1964

A repercussão do primeiro show do grupo de jovens baianos que estreou o Teatro Vilha Velha, "Nós, Por exemplo", foi tão grande que motivou o convite do grupo para uma temporada mais longa, que resultou em um show muito diferente do primeiro, com a direção de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Alcyvando Luz. "Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova" tinha a intenção de ser um show didático, e tenteva inserir o grupo baiano num plano histórico que passava pelo passado musical da MPB, pela renovação da Bossa Nova e por sua continuação, representada por eles mesmos, que se consideravam descendentes diretos do movimento liderado por Tom jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto. Na primeira parte do show estavam grandes clássicos do passado da MPB, e na segunda parte canções que refletem a transição para a Bossa Nova e seu auge como movimento, representada pela inclusão de "Chega de saudade" no repertório. Interessante notar que na parte que reflete a modernização da MPB estão duas músicas de Dorival Caymmi, um compositor, que pelo menos cronologicamente, pertencia à fase anterior da MPB, mostrando a percepção do grupo para a modernidade do trabalho de Caymmi.

Repertório / Set List

Parte 1

1- Eu sonhei que tu estavas tão linda (Lamartine Babo)
2- Opinião (Zé Kétti)
3- Vida de minha vida (Ataulfo Alves)
4- Feitio de oração (Vadico- Noel Rosa)
5- De papo pro á (Joubert de Carvalho - Olegário Mariano)
6- Pra machucar meu coração (Ary Barroso)
7- Gosto que me enrosco (Sinhô)
8- Rosa (Pixinguinha)
9- Pombo correio (Benedito Lacerda )
10- Sussuarana (Heckel Tavares)
11- Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso)

Parte 2

1- Duas contas (Garoto)
2- Copacabana (João de Barro - Alberto Ribeiro)
3- Valsa de uma cidade (Ismael Neto)
4- Menino grande (Antônio Maria)
5- Fim de semana em Eldorado (Johnny Alf)
6- Ninguém me ama (Antônio Maria - Fernando Lobo)
7- Chega de saudade (Tom Jobim - Vinícius de Moraes)
8- Agora é cinza (Bide - Marçal)
9- Samba da minha terra (Dorival Caymmi)
10- A vida é o que a gente não quer (Dorival Caymmi)
.
.